sexta-feira, 3 de março de 2017

O que é essa tal de Perspectiva de Ciclo de Vida?


Por: J. Camilo G. Sardinha (*)
Ultimamente tenha escutado alguns comentários do tipo:
_ Preciso comprar a série ISO-14040 para fazer avaliação de ciclo de vida por causa da nova ISO-14001.

_ Agora vou ter que incluir os aspectos ambientais dos meus fornecedores no meu SGA.
_ Vou ter que controlar os fornecedores dos meus fornecedores...

Para tudo!!!
Calma gente, a ISO não quis transformar a ISO-14001:2015 num inferno, muito menos criar requisitos inviáveis para as organizações. Então vamos entender melhor essa história toda.
Para começar, a Perspectiva de Ciclo de Vida não tem nada a ver com a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que é uma quantificação dos impactos ambientais de diferentes produtos nas mesmas circunstâncias. Isso é feito convertendo os impactos ambientais em equivalentes de carbono. Por aí já dá para imaginar a complexidade dos cálculos envolvidos e o enorme trabalho para coletar os dados necessários (e consequentemente o custo para fazer tudo). Então vamos combinar que ninguém mais fala de ACV para a ISO-14001:2015.
Resolvido este ponto, permanece a pergunta: o que é essa tal de perspectiva de ciclo de vida?
Até então as organizações analisavam seus aspectos ambientais considerando basicamente os impactos ambientais enquanto estes estavam em seu poder. Agora precisamos lançar um olhar sobre o ciclo de vida dos produtos e serviços para avaliar onde podemos controlar ou influenciar.
_ Mas Sardinha, continuo sem entender nada do que eu tenho que fazer agora.
Ok, ok. Vou melhorar a minha explicação.
O que chamamos de ciclo de vida de um produto ou serviço são todas as etapas consecutivas desde a obtenção das matérias-primas, os diversos processamentos e transformações, transporte, uso até a destinação após o fim de vida do produto.
Considerar uma perspectiva de ciclo de vida é entender que os produtos e serviços possuem um ciclo de vida.
Nada como alguns exemplos para ajudar a entender um conceito:
Durante o desenvolvimento de novos produtos, podemos avaliar a escolha de matérias-primas diferentes, que causem um menor impacto ambiental, como por exemplo, optar por materiais de fontes renováveis ao invés de fontes não renováveis.
Ou ainda quando escolhemos entre diferentes modais de transporte, com um menor impacto ambiental.
Temos um outro bom exemplo da aplicação deste conceito quando vamos ao supermercado. Diversos produtos são vendidos hoje em dia em embalagens para uso (normalmente mais rígidas e maiores, para facilitar o manuseio do produto) e em embalagens de refil, que consomem bem menos matérias-primas, ocupam menos espaço no transporte, geram menor volume de resíduos e facilitam a sua reciclagem por não utilizarem materiais diferentes misturados.
Esses exemplos de decisões estão em nossas mãos, ou em outras palavras, temos controle sobre elas.
Vamos dar uma olhadinha agora no ciclo de vida após a nossa organização.
Quando oferecemos aos clientes, consumidores ou usuários informações sobre como transportar, utilizar ou mesmo como descartar nossos produtos ao final do seu uso, estamos contribuindo para evitar que maiores impactos ambientais ocorram. Não podemos obrigar que essas orientações sejam seguidas, mas estaremos exercendo o nosso poder de influência.
Entenderam a ideia? O que se deseja é que as organizações tenham uma postura mais responsável ambientalmente dentro da cadeia produtiva onde atuam, mais do que simplesmente cuidar de não derrubar produtos químicos no seu gramado.
_ Mas temos hoje muitas empresas que já fazem diversas ações nesse sentido.
Sim, claro! Ninguém disse que perspectiva de ciclo de vida era uma grande novidade. As atitudes dessas empresas são as que chamamos de boas práticas. E o que é uma norma de sistema de gestão do que um conjunto de boas práticas identificadas no mercado para serem disseminadas para todas as demais empresas?
_ E isso vai fazer aumentar os custos?
Vou responder deixando as seguintes perguntas para vocês:
Já pararam para pensar que em geral existe uma relação muito direta entre o custo de um produto e os impactos ambientais que ele causa ao longo do seu ciclo de vida? Considerar isso nas decisões da minha empresa vai aumentar os custos?
Valeu pela atenção, galera! Grande abraço!

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(*) João Camilo G. Sardinha é Diretor da APS Qualidade, com mais de 30 anos de experiência profissional e há 15 anos atuando como Consultor, Instrutor e Auditor de sistemas de gestão. Auditor Líder ISO-9001, ISO-14001, OHSAS-18001 e ISO-50001 para a SGS e Instrutor de diversos temas para a SGS Academy, incluindo Tutor dos cursos de Auditor Líder.

Um comentário:

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